Fogacho a 35 graus: o verão de quem está no climatério

SAÚDE DA MULHER

Fogacho a 35 graus: o verão de quem está no climatério

Publicado em 06/11/2026 · Atualizado em 26/10/2026

Dra. Luciana Gomes Corrêa · CRM/SP 174513 · Homeopatia RQE 90979

São 14h20 e o termômetro do celular marca 35 graus. O ventilador de mesa está apontado para você, a blusa de linho foi escolhida de manhã justamente por ser a mais leve do armário, e mesmo assim vem aquilo: uma onda que sobe do peito para o pescoço, alcança o rosto e faz a nuca molhar em segundos.

Você conhece a diferença. O calor da sala é uma coisa. Esse é outro, vem de dentro, tem começo definido e não obedece ao ventilador. Dura um minuto, talvez dois, e depois deixa a blusa colada nas costas e um leve tremor de frio.

O pior é o disfarce. Você continua a reunião, faz que ajeita o cabelo, bebe água devagar. Ninguém precisa saber. E fica pensando que em janeiro, quando o calor apertar de verdade, isso vai ficar impossível de esconder.

A diferença entre o calor da sala e a onda que vem de dentro

O fogacho tem características próprias que o distinguem do desconforto térmico comum. Ele começa de forma súbita, costuma se concentrar no tronco superior, no pescoço e no rosto, dura poucos minutos e termina com suor e às vezes com uma sensação de frio logo depois.

O calor ambiente, por sua vez, é contínuo, atinge o corpo todo de maneira mais uniforme e melhora quando você entra num lugar fresco. O fogacho pode acontecer numa sala com ar-condicionado a 22 graus, e é isso que costuma convencer quem ainda tinha dúvida.

Ele acontece porque, na transição hormonal, o organismo passa a interpretar variações pequenas de temperatura como se fossem grandes, e aciona os mecanismos de resfriamento com muito mais facilidade. A vasodilatação e o suor são a resposta, e você sente a resposta antes de entender o motivo.

Por que o verão embaralha a leitura desse sintoma

No inverno, o fogacho se destaca. Você está de casaco, a sala está fria, e a onda de calor é evidente. No verão, ela se mistura com o calor de fora, e muitas mulheres passam meses atribuindo tudo à estação, sem perceber que existem dois calores diferentes acontecendo.

Essa confusão atrasa a conversa. A pessoa chega em março dizendo que o verão foi insuportável, quando na verdade os fogachos vinham aumentando de frequência desde outubro. A informação sobre a evolução do quadro se perde, e ela é justamente uma das mais úteis na consulta.

A noite quente e o sono que se parte em pedaços

O suor noturno é o mesmo fenômeno acontecendo enquanto você dorme, e no verão ele se soma a um quarto que já está quente. O resultado é uma madrugada de despertares: acordar molhada, trocar de camiseta, virar o travesseiro, ligar o ventilador, tirar o lençol, cobrir de novo por causa do frio que vem depois.

Cada um desses episódios fragmenta o sono, e um sono fragmentado devolve um dia com pavio curto, memória falhando e sonolência à tarde. Muitas mulheres chegam ao consultório falando de irritabilidade e cansaço, e só ao longo da conversa percebemos que a origem está nas noites.

O que o verão cobra a mais

Há uma camada prática que raramente aparece nas consultas rápidas. A escolha da roupa passa a ser estratégica, sempre em camadas, sempre em cores que escondem o suor. O evento ao ar livre, o casamento de tarde, a formatura de dezembro deixam de ser convite e viram cálculo.

Existe também o cuidado com a hidratação, que é maior quando se transpira mais, e o desgaste de estar sempre atenta ao próprio corpo em público. Essa vigilância cansa, e o cansaço dela não aparece em nenhum exame.

O que observar e anotar antes da consulta

Chegar com observação organizada muda a qualidade da conversa. Vale registrar por três ou quatro semanas:

  • A frequência. Quantos episódios por dia, em média, e se o número mudou nos últimos meses.
  • Os horários. Se há concentração em algum período, e quantos acontecem durante a noite.
  • A intensidade. Se você precisa parar o que está fazendo, se molha a roupa, se vem com palpitação.
  • Os gatilhos. Café, álcool, comida quente ou apimentada, situação de tensão, ambiente fechado.
  • O ciclo menstrual. Se ainda existe, como está a regularidade e o volume.
  • O que mais mudou. Sono, humor, memória, disposição, ressecamento, dores nas articulações.

A Febrasgo orienta que a abordagem do climatério seja individualizada, considerando a história de cada mulher e não apenas a idade. Essa anotação é o que torna a individualização possível.

Como escuto o climatério no consultório

Sou médica homeopata, e recebo muitas mulheres nessa fase. O que ouço com mais frequência não é uma queixa isolada, é um conjunto: o calor, a noite picada, o pavio curto, a sensação de não se reconhecer. Cada uma dessas peças costuma ter sido levada a um profissional diferente.

Na minha escuta, eu junto as peças. Olho a história completa, o momento de vida, o que estava acontecendo quando os sintomas começaram, e o que existe de emocional caminhando junto do físico. A homeopatia, no meu consultório, é essa leitura da pessoa inteira, feita com tempo.

O acompanhamento com a ginecologista é a base do cuidado nessa fase, e todas as decisões sobre exames, terapia hormonal e prevenção pertencem a ela. Reuni em uma página sobre o cuidado no climatério e na menopausa o formato da consulta e o ritmo dos retornos.

Perguntas frequentes

Como saber se é fogacho ou se é só o calor do verão?

O fogacho começa de repente, concentra-se no tronco superior, no pescoço e no rosto, dura poucos minutos e costuma terminar com suor e uma sensação de frio. O calor ambiente é contínuo e melhora em lugar fresco. Um sinal bastante claro é sentir a onda de calor dentro de uma sala com ar-condicionado.

O verão piora o climatério ou só piora os sintomas?

A transição hormonal segue o seu próprio curso, independentemente da estação. O que o calor faz é reduzir a margem de tolerância do corpo e somar desconforto ao desconforto, principalmente à noite. Por isso muitas mulheres percebem os sintomas como mais intensos no verão.

Quando o fogacho pede avaliação de outro especialista?

O acompanhamento com a ginecologista é essencial e deve ser a base do cuidado nessa fase. Além disso, ondas de calor acompanhadas de palpitação persistente, perda de peso sem explicação, tremor ou alteração importante do ritmo cardíaco pedem investigação clínica, porque nem todo calor súbito vem do climatério. Dor no peito ou falta de ar exigem atendimento presencial imediato.

Vale a pena consultar online sobre esse assunto?

A maior parte do meu atendimento é online, para todo o Brasil, com eventuais encontros presenciais em Sorocaba e Itu. Como essa consulta depende sobretudo de uma escuta profunda e detalhada da sua história, o formato online permite o mesmo cuidado, com a comodidade de estar em casa.

Agende sua consulta

Se o seu verão está sendo atravessado por essas ondas de calor e você gostaria de conversar sobre isso com tempo, esse pode ser um bom momento. Atendimento a partir de 490 reais, online para todo o Brasil. A nossa equipe recebe você pelo WhatsApp.

Dra. Luciana Gomes Corrêa · Médica Homeopata
Médica · CRM/SP 174513 · RQE 90979 (Homeopatia)
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