Adolescente ansioso: provas, telas e a porta fechada

SAÚDE INFANTIL

Adolescente ansioso: provas, telas e a porta fechada

Dra. Luciana Gomes Corrêa · CRM/SP 174513 · Homeopatia RQE 90979

A porta do quarto fecha cedo e abre tarde. As respostas encolheram até o tamanho de uma sílaba. Na mesa do jantar o corpo está presente, os olhos estão longe, e o celular vibra e leva embora o resto.

Todo mundo à sua volta repete a mesma explicação: adolescente é assim mesmo. Mas você conhece esse filho desde antes de ele nascer. E alguma coisa no seu radar de mãe insiste em dizer que não é só a idade.

Em semana de prova, ele não dorme. Uma nota abaixo do esperado vira tragédia íntima, remoída por dias. A dor de barriga das manhãs de escola já apareceu vezes demais para ser coincidência. E a tela, que parece a vilã da história, talvez seja também o lugar onde ele se esconde do que sente.

O que mudou na adolescência deles

A ansiedade sempre rondou essa fase da vida: o corpo muda, o grupo julga, o futuro cobra. O que mudou foi o volume do cenário. A pressão por desempenho começa cada vez mais cedo, e a palavra vestibular entra na casa anos antes da prova. A comparação, que na sua época terminava no portão da escola, hoje dorme dentro do quarto, na vitrine infinita dos outros. E o sono, encurtado pelas telas, é justamente o que ajudaria a regular o humor e o medo.

Escolas e consultórios vêm registrando mais queixas de ansiedade nessa faixa de idade. Não é impressão sua, e não é moda. Também não significa que seu filho seja frágil demais para o mundo: significa que ele atravessa um mundo mais barulhento com um sistema nervoso ainda em construção.

Sinais que merecem a sua atenção

  • Queixas físicas repetidas. Dor de barriga ou de cabeça que aparece antes de prova, apresentação ou domingo à noite, e some no feriado.
  • Sono fora do lugar. Madrugadas acordado, dificuldade enorme de levantar, cochilos que atravessam a tarde.
  • Perfeccionismo que trava ou notas em queda. Os dois extremos podem ser a mesma ansiedade com roupas diferentes.
  • Isolamento além do típico. Afastar-se um pouco da família é esperado. Abandonar os amigos e o que amava fazer, não.
  • Irritabilidade constante. Nessa idade, a ansiedade muitas vezes não chora: ela explode.

Um alerta que precisa ser dito com clareza: se aparecerem machucados que ele esconde, falas sobre morte ou uma desesperança que não passa, a avaliação em saúde mental se torna prioridade imediata. O CVV escuta também adolescentes, pelo 188, de graça, a qualquer hora, e pelo chat do site cvv.org.br.

Como eu escuto um adolescente no consultório

Sou médica homeopata, e uma parte do meu trabalho que me é muito cara é essa: escutar quem está nessa idade sem julgamento e sem sermão. Adolescente fala, e fala muito, quando percebe que não vai sair da conversa rotulado.

Na consulta, olho para esse jovem por inteiro: como dorme, o que sente no corpo antes das provas, o que mora por trás da irritação, o que ele mesmo pensa das próprias horas de tela. A homeopatia, no meu consultório, é essa escuta da história completa, do emocional que se expressa em sintoma físico. Não trabalho com promessa de prazo nem de atalho; trabalho com escuta e acompanhamento.

E sou honesta com as mães que me procuram: quando o quadro pede, a avaliação com psicólogo ou psiquiatra da infância e da adolescência é essencial, e esses colegas têm o meu respeito e a minha parceria. A homeopatia soma nesse cuidado. Ela não substitui ninguém.

Para seguir essa leitura, escrevi sobre como a ansiedade se manifesta na infância, sobre a diferença entre a ansiedade esperada e a que pede ajuda e sobre a exaustão invisível de quem carrega a casa na cabeça, porque a mãe do adolescente ansioso também merece olhar para si.

O que vocês dois merecem

Seu filho merece ser escutado como pessoa, não corrigido como problema. E você merece deixar de ser a única tradutora dos silêncios dele. Merece dividir essa leitura com alguém preparado para escutar, e voltar a ser mãe, em vez de vigia.

A porta fechada nem sempre é um muro. Muitas vezes é um pedido para que alguém bata devagar.

Se quiser entender como esse cuidado se organiza, preparei uma página sobre o acompanhamento da ansiedade na infância e na adolescência, com o formato da consulta e o papel de cada profissional.

Perguntas frequentes

Meu filho se recusa a ir a qualquer médico. O que eu faço?

Evite marcar escondido ou transformar a consulta em castigo. Conte a ele o que você tem percebido, sem lista de defeitos, e pergunte o que ele acharia de conversar com alguém de fora da família. O formato online costuma reduzir a resistência: ele fala do próprio quarto, no espaço dele.

Homeopatia substitui psicólogo ou psiquiatra na adolescência?

Não, e eu não conduzo o cuidado dessa forma. Quando há indicação, a avaliação dessas especialidades é parte necessária do caminho, e sigo junto, somando a escuta do conjunto. Nenhum acompanhamento sério promete dispensar outro profissional de que o seu filho precise.

O atendimento é online?

A maior parte do meu atendimento é online, para todo o Brasil, com eventuais encontros presenciais em Sorocaba e Itu. Com adolescentes, o online tem uma vantagem particular: muitos se sentem mais à vontade em casa do que numa sala de espera.

As telas causam a ansiedade?

A relação é de mão dupla. O excesso de tela pode alimentar a comparação e roubar o sono, e a ansiedade pode levar o adolescente à tela como refúgio. Por isso a resposta raramente é só confiscar o celular: é entender o que ele está evitando quando mergulha ali.

Agende sua consulta

Se você quer esse espaço de escuta para o seu filho, o primeiro passo é seu, e é simples. Atendimento a partir de 490 reais, online para todo o Brasil. A nossa equipe recebe você pelo WhatsApp.

Dra. Luciana Gomes Corrêa · Médica Homeopata
Médica · CRM/SP 174513 · RQE 90979 (Homeopatia)
Atendimento online · agendamento pelo WhatsApp

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